mercoledì 7 luglio 2010

Alice no País das Maravilhas (Alice In Wonderland, EUA, 2010 - DIsney) de Tim Burton por Giselle Sato






Não esperava nada convencional de Tim Burton,para ser sincera queria que ele me surpreendesse, como sempre fez em todos os seus filmes. E não saí nem um pouco decepcionada, assisti a incrível jornada de uma Alice que cresceu e precisou descobrir sua verdadeira história para seguir em frente.

Neste conto de fadas, a protagonista para ter um final feliz, vai lutar para provar que faz por merecer. A adaptação tem momentos mágicos, efeitos lindos como convém à uma produção deste nível, e principalmente o toque irreverente do diretor. Nada é por acaso nas cenas de Tim, se observarmos atentamente Alice está repleta de questionamentos, sátiras e subterfúgios.

O filme começa mostrando um pouco da infância da menina Alice, atormentada por pesadelos vívidos, vivenciando questionáveis sonhos que mostram um mundo estranho, repleto de aventuras com seres fabulosos. Mas o pai de Alice é um negociante visionário, que segue seus impulsos no ramo das grandes viagens de navio, em busca de novas terras. Tão sonhador quanto a filha, ele nada vê de errado em ter imaginação e fantasias. Diferente de muitos os pais que vivem reprimindo os pequenos, a menina partilha com o pai uma normalidade condescendente, adiantada para a época.

Enfim somos apresentados à Alice Kingsleigh, uma jovem distraída em devaneios, viajando com a mãe em uma bela carruagem. De cara ganha a simpatia ao dizer não aos espartilhos, um ponto de ousadia comedida. Ou seja, a menina não é tão frágil quanto aparenta. Aos dezenove anos durante uma festa planejada, recebe uma proposta de casamento precoce e precisa se decidir: aceitar as obrigações da sociedade vitoriana, nada condescendente com as mulheres ou compreender o que seus sonhos ocultam? Descobrir quem é a verdadeira Alice parece ser seu maior desafio.

Neste momento, a jovem vê um coelho vestido correndo pelos jardins, intui que o conhece e põe em duvida sua sanidade, visto que tem uma tia completamente doida e teme terminar da mesma forma. Ela pensa, repensa e no final decide dar uma chance às suas dúvidas. O impulso de Alice em seguir o coelho, a levará ao buraco e passagem para o mundo subterrâneo. É o inicio da grande aventura.

Afinal te uma fala que resume tudo:“Você é completamente pirado. Mas, vou te contar um segredo. As melhores pessoas são assim…”

De Alice para o Chapeleiro Maluco.

Quando pensamos na Alice no país das maravilhas original, de Lewis Carol, vem logo a imagem do chapeleiro, o gato e a rainha ordenando: - cortem-lhe a cabeça! – São frases, personagens imortais no imaginário e coração das crianças de todas as épocas. A Alice criança saiu-se bem com a vivacidade, imaginação e espontaneidade típica dos nove anos.

Mas Tim Burton mandou Alice de volta aos 19 anos para o país das maravilhas e lá ela reencontra o Coelho Branco e a sábia lagarta Absolem, que deixa que ela resolva se é ou não a verdadeira Alice. A menina Alice que há anos visitou o mundo encantado e é aguardada para livra-los do grande predador, o monstro Jaguarte. Cruel animal que a Rainha Vermelha usa para manter o povo submisso.

Os gêmeos Tweedledee e Tweedledum são uma graça, o Gato de Cheshire , o cão farejador e outros seres, fazem parte do elenco um tanto bizarro com a pitada sombria e imprevisível, marca registrada de Tim Burton. Deixei para o final alguns personagens principais, que junto a Alice dão vida a esta incrível história.

O Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), desta vez com imensos olhos amarelados e no tom perfeito, passando de questionador à irreverente sem cair no estereótipo de velhas performances com o mesmo diretor. O Chapeleiro é divertido e impossível não rir das suas tiradas.

A malvada Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter), cuja cabeça gigante por si só já garante as risadas. A corte da Rainha Vermelha é uma piada com a aristocracia, bajuladores cheios de horrendos apliques , escondem a aparência normal para não destoar da monarca. Vale ressaltar que Helena Bonham Carter está simplesmente fabulosa neste papel, sua rainha é ao mesmo tempo má, trágica e engraçada. Ela vem acompanhando o marido Tim Burton em suas obras, e só tem acrescentado por seu inegável talento.

A boa irmã da Rainha Vermelha, a Rainha Branca (Anne Hathaway), amada e sensível como toda nobre em apuros precisa ser. Anne consegue dar à personagem, a sensação de uma figura etérea e sublime, mas é ofuscada pelo carisma de Helena.

Finalmente Alice, vivida por Mia Wasikowska, sua atuação nos faz pensar na responsabilidade de uma jovem atriz em encarnar um personagem tão importante na historia. O peso parece leve sob os ombros frágeis da mocinha, encantadora e exatamente como eu imaginei que seria Alice com mais idade.
Não podemos esquecer o figurino perfeito, contrastando com o cenário mágico, a maquiagem e os efeitos especiais. Enfim uma produção que conta com o aval dos estúdios Disney, que garante qualidade e um grande espetáculo.

O livro de Eli - Recensione Giselle Sato


Filmes que se passam em futuros pós-apocalípticos, com direito a lutas e ideais, são sempre um apelo fortíssimo e normalmente grandes sucessos. O livro de Eli possui um atrativo a mais: Denzel Washington em grande atuação, com direito a um final surpreendente, interpretando um enredo inteligente e reflexivo.

Repleto de mensagens subliminares, merece ser assistido sem qualquer preconceito religioso, certamente será mais um Cult e de todo coração espero que permaneça na ficção.
Quem escolhe este estilo de filme, de antemão espera assistir uma saga em um mundo inóspito, com o personagem principal lutando pela sobrevivência e com algum objetivo nobre. O que varia são as pitadas de adversidades, no Livro de Eli encontramos os sobreviventes da hecatombe e as adversidades como a fome, que leva ao canibalismo, falta de água evocando a lei do mais forte e os raios solares, um inimigo mortal que causa cegueira. Eli passa 30 invernos vagando na companhia do imenso volume que protege, vencendo vários obstáculos causados pela natureza e pelo homem. Ele segue a intuição e tenta chegar a um local onde o livro estará seguro, sem conhecer o caminho ele apenas intui a direção. O Oeste.

Eli segue carregando o último exemplar, pois todos foram queimados após a explosão que mudou o mundo e todas as cópias do foram destruídas porque crêem que ele foi a causa do caos. Incansável enquanto o resto do mundo enfrenta as trevas da ignorância, ele lê todas as noites. A nova geração só distingue as necessidades do corpo, não sabe ler e os valores do espírito não interessam nos novos tempos.
E naturalmente há um vilão à altura interpretado por Gary Oldman, o cruel Carnigie é o dono de uma cidade que comercializa água à base de escambo e mantêm a ordem usando uma gangue violenta. Os mesmos homens percorrem desertos em suas motos em busca de um livro, a verdadeira obsessão de Carnigie é obter o poder que o livro irá proporcionar ao dono. No embate temos a jovem Solara, questionando Eli sobre sua convicção e o próprio Carnigie que atribuiu poderes mágicos ao livro.

Começa a esquentar a história, nosso herói é mestre com a espada e há momentos de luta e ação que tanto gostamos nestas sagas. Ficamos imaginando qual o poder que o ambicioso tirano atribui ao misterioso compêndio, afinal desde o início pelos versículos que Eli recita, suspeitamos tratar-se de alguma escritura antiga e sagrada. Se esmiuçar a questão, vou tirar a graça da historia que é justamente entender a razão da determinação do personagem.

O livro de Eli emociona quando nos lembra do poder da palavra, do conforto que não valorizamos e perdemos, do desperdício, da importância da simplicidade e no quanto somos frágeis. No cenário devastado, o guerreiro torna-se primordial para o recomeço da sociedade, trazendo a luz da sabedoria em forma de esperança.

O filme apresenta um personagem que é a fé encarnada, a força acima do sofrimento por um ideal, a crença sem professar qualquer religião ou defender causas e apontar caminhos. O enredo é atual e um dos maiores temores da humanidade. Escolhas, valores, medos, oportunidades, salvação... E mais uma vez a Arte conduzindo, distraindo, encantando e nos fazendo refletir.
Isto é cinema e dos bons!

Sherlock Holmes- recensione Giselle Sato



Se você é conservador, deixe de lado por alguns minutos a imagem clássica do detetive mais famoso do mundo, o lendário Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle. Fique tranquilo, a astúcia, a inteligência dedutiva e lógica brilhante do detetive foram preservados no roteiro, assinado por Michael Robert John¬son, Anthony Peckham e Simon Kin¬Berg.

O principal é o carisma deste personagem, atemporal e tão audaz quanto a proposta renovadora. Tome fôlego e prepare-se para o ritmo frenético que o diretor Guy Ritchie emprestou ao filme, aliado as escolhas acertadas dos atores: Robert Downey Jr, no papel de Sherlock, nesta apresentação conturbada do personagem, está perfeito. Jude Law, fez um Watson, equilibrado, sensato, mas não desprovido de vida própria. A interação entre os atores é evidente, com certeza encontrar o tom perfeito para dar vida aos personagens de peso, exigiu talento à altura.

Se o estilo do diretor peca pelo excesso de ação, prima nos diálogos. Em sincronia perfeita, à dinâmica que impôs à trama, naturalmente instigante, em momento algum, perdem-se ou são enfadonhos. Com mistérios, magias rituais, satanismo e o famoso mote: ciência x sobrenatural, há muito com que trabalhar.

O detetive é fiel aos textos de Doyle pelo menos no quesito habilidades físicas, onde o sempre é descrito como grande conhecedor de artes marciais, excelente esgrimista e pugilista. No filme, ele expõe a prática em lutas bem encaixadas na história. Para os fãs do estilo de Guy Ritchie é puro deleite, os fãs tradicionais podem ou não, achar interessante.

Acrescentando como pano de fundo, a velha Londres, com o habitual clima cinzento, e sua arquitetura original bem conservada. Pelas ruas mal iluminadas, entremeadas por becos sujos, interagindo com a reconstituição dos costumes da época , Sherlock e Watson enfrentam um vilão sobrenatural. Interpretando Blackwood, o assassino que retorna da morte, o ator Mark Strong, defende com vigor seu papel, proporcionando uma memorável cena de luta contra Holmes.

Em um cenário onde os elementos da natureza são aliados ao crescente conflito, o desfecho final é traçado. Sherlock Holmes é um grande filme: bonito, bem feito, com atores brilhantes e um diretor ousado. Tão insolente que ousou usar imperfeições e fraquezas humanas em uma lenda. O artifício causou identificação imediata, intimidade e quem sabe, o prazer secreto de ver este Sherlock Holmes, ainda que por alguns minutos.

Le Fabuleux destin d'Amelie Poulain - Giselle Sato



Se o mundo inteiro, coubesse em um sorriso, seria de Amélie Poulain.
A graça de quem espia e nunca chega perto demais. Lembra as asas da borboleta, tocando de leve, arredia ... O vôo da libélula e dos pássaros. Tudo em Amélie está em perfeita sincronia.

Aceitando o que a vida oferece, sem maiores preocupações: Viver é o desafio diário. O resto é conseqüência.
Caixinha de surpresas, pedacinhos de vida recortados. Primeiro olhar, inesperado, surpreso e inocente. Resguardando sonhos de menina e brincando de ser mulher.
Amélie : descobertas, romance, jeito frágil e atitudes expressivas.
O que existe neste filme tão sutil e inexato? Talvez a personagem, seja a brisa fresca que esperamos a vida inteira. O sopro que nunca chega; sempre adiado e no final permanece desconhecido.

A canção que toca o coração: som de chuva, ninho de passarinhos, flores e carinho. A vida crua ficou lá trás, esquecida em uma esquina qualquer. Hoje é dia de Amélie. O importante, não é contar uma história coerente, o objetivo é despertar.
Trazer saudades de Paris, rir das botinas velhas e pesadas. Como se o calçado, fosse o único fio que prendesse a personagem à terra. Ele está lá, para que ela não flutue, qual balão colorido... A melhor fantasia, o doce mais gostoso, beijos e abraços perdidos.

Finais felizes e sons que despertem a mágica de estar viva. O filme preferido, quando o dia está chato demais. O dom de ser agradável na medida certa. Como um café, no bistrô da personagem...

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